JIU JITSU

De acordo com alguns historiadores, o jiu-jitsu, ou a “Arte Suave”, surgiu na Índia a mais de
dois mil anos atrás e era praticado por monges budistas, que eram proibidos, pela religião, de se
defender com armas. Por causa dos constantes ataques das tribos bárbaras, os monges
desenvolveram técnicas que se baseavam nos princípios do equilíbrio e das alavancas, que eram
utilizadas contra o sistema de articulações do corpo, evitando assim, o uso da força e de armas.
Quando o Budismo se expandiu pelo Sudoeste Asiático, o Jiu-Jitsu o acompanhou, chegando à China e finalmente ao Japão, onde cresceu e se popularizou.
O samurai do antigo Japão feudal, ao travar um combate corpo-a-corpo sem armas, estava
pondo em prática o Jiu-jitsu.
Por muito tempo, o Jiu-jitsu foi a luta mais praticada no Japão, até o surgimento do Judô, em
1882. O Jiu-jitsu era tratado como jóia das mais preciosas do Oriente. Era tão importante na
sociedade japonesa que chegou a ser – por decreto imperial – proibido de ser ensinado fora do Japão ou aos não japoneses, proibição que atravessou os séculos até a primeira metade do século XX.

O termo Jiu-jitsu ou (jujutsu 柔術) é composto por dois caracteres kanji:

· Jiu ou ju : Arte 柔
· jitsu : Suave 術

O Jiu-Jitsu, que significa "arte suave", é uma arte marcial das mais sutis e requintadas por
fazer uso do estudo da anatomia humana e seus pontos frágeis, o uso de alavancas, o princípio da física e flexibilidade harmonizados com a mente. É considerada uma das lutas mais abrangentes que existe, pois nela há uma grande variedade de técnicas, tais como golpes traumáticos, golpes nas articulações (como torções) e estrangulamentos.
As bases fundamentais para um Jiu-Jitsumen é a destreza, a rapidez e a flexibilidade. Sem
requerer tanta força bruta. Esta luta movimenta todos os músculos do corpo e lança ao jogo toda a atenção (mente) e sangue frio.
É uma luta que não necessita o uso de força, pois utiliza sistemas de alavancas e desequilíbrios, assim o lutador aproveita a força e o movimento do próprio adversário para executar seus golpes. Essa característica da luta possibilita que um lutador, mesmo sendo menor ou mais fraco que o oponente, consiga se defender e vencer.
Uma das vantagens práticas desta luta é que ela auxilia o desenvolvimento da inteligência,
incute audácia, coragem, confiança na própria força, agilidade e resistência à dor.
No Mundo, é conhecido como "Brazilian Jiu-Jitsu". Um sistema desenvolvido pela família
Gracie, que trouxe o Jiu-Jitsu para o Brasil, e aprimorou as técnicas vindas do Jiu-Jitsu japonês,
adaptando-o com grande enfoque no Ne-Waza – técnicas de solo, ponto central do jiu-jitsu desportivo brasileiro, modificando alguns movimentos e tornando-os mais eficientes.
O Jiu-Jitsu é praticado em quatro formas:
· Esportivo: sem golpes traumáticos, apenas com projeções, chaves (de braço,
pé etc.), estrangulamentos, imobilizações, torções etc.

· Vale tudo: com golpes traumáticos como socos, chutes, cotoveladas,
cabeçadas, joelhadas etc. Além das técnicas utilizadas no Jiu-Jitsu esportivo.
· Defesa pessoal: com técnicas específicas para se defender de um agressor,
como, por exemplo, um assaltante (mesmo que com mão armada). Podendo
utilizar golpes traumáticos.
· Submission: tecnicas sem kimono

No Jiu-Jitsu que é praticado em academia a roupa usada é o Kimono.


HISTÓRIA


Antigamente havia vários estilos de Jiu-jitsu e cada lutador tinha seu estilo próprio. Por isso o
Jiu-jitsu era conhecido por vários nomes, tais como Kumiuchi, Aiki-ju-jitsu, Koppo, Tai-Jutsu,
Gusoku, Koshi-no-mawari, Yawara, Hade, Jutai-Jutsu, Shubaku etc. No fim da era Tokugawa,
existiam cerca de 700 estilos de Jiu-jitsu. Cada estilo tinha características próprias. Alguns davam
mais ênfase às projeções ao solo, torções, estrangulamentos e outros enfatizavam ainda, golpes
traumáticos como socos e chutes. A partir de então, cada estilo deu origem ao desenvolvimento de artes marciais conhecidas atualmente de acordo com suas características de luta, entre elas o Judô, Karatê e Aikido, por exemplo.
A verdade, porém, é que a base de praticamente todas as lutas é o JIU-JITSU, que é composto de 113 estilos, dos quais somente 64 são conhecidos em nossos dias, podendo ser
praticado em pé ou no chão e com qualquer tipo de vestuário, não se compreendendo a tentativa de comparação entre um todo e uma parte, como é o caso do Judô, por exemplo, que nada mais é do que parte do desequilíbrio do JIU-JITSU, que englobam os golpes traumáticos (ATEMI) e o Aikido que é parte das torções extraídas do JIU-JITSU.
Apesar das versões contraditórias, atribui-se a origem do JIU-JITSU à Índia, berço de civilizações e de cultura inigualável. Monges budistas de longínquos monastérios, obrigados a percorrer longas caminhadas em estradas infestadas de bandidos para propagarem sua fé, foram os verdadeiros criadores e disseminadores da maior ARTE DE DEFESA PESSOAL do mundo, que é inigualavelmente o JIU-JITSU.
Ao norte da Índia, algumas milhas acima de Benares, a 2.500 anos, nascia o príncipe Sidartha
Gauthama, membro da tribo SAKYA, conhecido como Saquia Muni (Príncipe Solitário) e que mais tarde veio a ser Buda - o Iluminado. Homem culto e de grande inteligência, que usava o dialeto Pali ou o Sânscrito, lançou as bases da religião que traria o seu nome e logo se desenvolveu por toda a Índia. Uma das principais preocupações de Buda ("O Iluminado") foi dotar seus seguidores – monges – de grande cultura e conhecimento gerais, para melhor propagarem a sua fé.
Com o nascimento do Budismo, surgiu também o JIU-JITSU em virtude da necessidade de
defesa dos monges, que não podiam portar armas que seria atentatório à moral de sua religião e
eram obrigados a percorrer pelo interior da Índia, em longas caminhadas, tendo de se defender
contra assaltos de bandidos que infestavam a região. Dotados de grande saber e perfeito
conhecimento do corpo humano, eles criaram o JIU-JITSU, que tem na defesa pessoal a sua principal essência e a aplicação de leis físicas, tais como "sistema de alavanca, momento de força, equilíbrio, centro de gravidade e o estudo minucioso dos pontos vitais do corpo humano", propiciou aos seus criadores fazer do JIU-JITSU uma arte científica de luta.


PROPAGAÇÃO


A disseminação do JIU-JITSU pela Ásia viria séculos mais tarde quando (a cerca de 250 AC.,
ou seja, 2.250 anos passados), reinou na Índia DEVANAMPRIYA PRIYADARSIM, conhecido como rei ASOKA - 2 séculos depois de BUDA.
Abraçado ao Budismo, Asoka desenvolveu-o criando milhares de Monastérios dentro e fora da
Índia. Desta maneira, o budismo e, com ele, o JIU-JITSU atingiram o Ceilão, a Birmânia e o Tibet.
Depois, o Sião e todo o sudeste da Ásia. Posteriormente, a China, e, finalmente, o Japão - onde
cresceu e tomou grande impulso, emigrando em seguida para o Ocidente. A entrada do JIU-JITSU no Japão é anterior ao nascimento de Cristo.
A morte do rei Asoka trouxe funesta conseqüência para o Budismo e, consequentemente para
o JIU-JITSU. Os brâmanes (adoradores da religião de Deus Brama, que florescia antes do Budismo), sentindo-se prejudicados pelo espírito da religião Budista, moveram pertinaz campanha até
conseguir expulsar os monges budistas do solo indiano; razão da pouca influência do JIU-JITSU na Índia.
A filosofia ZEN (nascida do Budismo) é, sem dúvida, o traço marcante entre o Budismo e as
antigas Seitas de JIU-JITSU.
O JIU-JITSU é um esporte intelectualizado, tendo em vista sua complexidade; seus
movimentos obedecem a uma ordem crescente de controle e inteligência; seu aprendizado é
recomendado por médicos, psicólogos e educadores, como integrante da educação, paliativo de
tensões psíquicas e fator de desenvolvimento físico; seus movimentos regulam o controle motor,
atuando como efeito de psicomotricidade, autoconfiança e total controle de si mesmo condicionando os reflexos, induzindo as decisões rápidas e seguras em situações caóticas e conseqüentemente desprovendo de complexos seus praticantes.
No Brasil foi introduzido pelo Conde de Koma (Mitsuyo Maeda) e difundido pela família Gracie,
que ainda hoje, o pratica e ensina. Tem por finalidade o desenvolvimento de todos os homens e visa, principalmente, a defesa do indivíduo sem a prática da violência. Assim quem sabe JIU-JITSU, mesmo fisicamente fraco, está em condições de se defender de qualquer agressão através de movimentos que têm por base o princípio da alavanca, sem precisar necessariamente usar força ou violência. Visa também o JIU-JITSU, o desenvolvimento da personalidade do indivíduo, estimulando as qualidades positivas e intelectuais do praticante, pois não se trata de uma luta e sim de um SISTEMA DE DEFESA que exige, antes de mais nada, o uso da inteligência para consumação do golpe que se pretende aplicar. Um praticante de JIU-JITSU desenvolve-se física e mentalmente.
Não pretende o JIU-JITSU criar valentões, mas, evidentemente, seus praticantes se tornam
pessoas confiantes, pois, eliminando do subconsciente o medo do golpe físico, que todos têm
naturalmente, o praticante de JIU-JITSU se torna apto a enfrentar qualquer agressão, e o que é
muito importante, a enfrentar qualquer situação difícil, em qualquer setor da atividade, pois, não
teme sofrer agressões, inclusive psicológica. Fácil é verificar-se a utilidade do JIU-JITSU na
educação, já que a criança e o jovem, vítimas maiores da insegurança e dos temores, bem depressa aprendem a ter confiança em si mesmos e passam a ter maior desenvolvimento nos estudos, nos esportes em geral e mesmo no relacionamento familiar, pois a confiança que adquirem com a prática do JIU-JITSU lhes permite até mesmo eliminar a agressividade própria dos inseguros e lhes dá desinibição indispensável ao relacionamento com seus semelhantes.
Isto é válido também para os adultos, pois a confiança em si próprio é a mola-mestra do
sucesso em qualquer ramo da atividade humana, notadamente naqueles setores em que se exige
que o indivíduo se exponha aos olhos e, conseqüentemente, à crítica dos que o rodeiam.
Pode-se concluir que o JIU-JITSU, na forma tradicional e como é ensinado, é o maior auxiliar
da formação moral e intelectual do praticante. Sua prática é recomendada a todos, pois os princípios de ordem moral e física que seu praticante adquire, trazem-lhe subsídios valiosos na formação de seu caráter e de sua personalidade.

INTRODUÇÃO DO JIU-JITSU NO BRASIL

Por volta de 1917, chegava ao Brasil o professor e campeão mundial de JIU-JITSU, MITSUYO
MAEDA, conhecido como CONDE KOMA - que obteve grandes vitórias, em todo mundo, sobre todas as formas de lutas. Em Belém do Pará, o professor Koma passou a lecionar o verdadeiro JIU-JITSU, a
seu dileto aluno Carlos Gracie, que chegando ao Rio de Janeiro (em 1920) acompanhado de seus irmãos mais novos, fundou a primeira academia de JIU-JITSU (localizada à Rua Marquês de
Abrantes, Praia do Flamengo). A partir daí, o JIU-JITSU passou a ser difundido com sangue e suor. A luta de kimono, desconhecida para os brasileiros, foi-se impondo, através de vitórias , contra todas as formas de luta que aqui existiam como a Capoeira, a Greco-Romana, o Boxe e, mais tarde, quando aqui chegou, o Judô Esportivo e (recentemente) o Karatê-Dô esportivo. Lutas épicas e memoráveis de Hélio Gracie (contra adversários fisicamente mais fortes) colocaram o JIU-JITSU
brasileiro acima de todas as demais formas de lutas. As sucessivas vitórias de homens franzinos
(contra gigantes musculosos) fizeram com que, bem cedo, os mais incrédulos acreditassem na
invencibilidade do JIU-JITSU. Após anos de lutas e de estudos, desenvolveu-se um verdadeiro Estilo Brasileiro de JIU-JITSU, com aprimoramento de luta de chão e o lançamento, pela primeira vez, da luta de JIU-JITSU sem kimono valendo, inclusive, golpes traumáticos. Atualmente o JIU-JITSU
Brasileiro encontra-se em plena expansão à nível mundial, conseqüência de um trabalho que teve
seu início na década de 20, através de Carlos Gracie, que repassou aos seus irmãos os
conhecimentos recebidos de Conde Koma. Mais adiante, em fase posterior, Hélio Gracie, discípulo e seguidor fiel das idéias de seu irmão mais velho, manteve a tradição, ao tempo em que aguardava a vinda de novas gerações, com nomes notáveis como: Carlson Gracie, Rolls Gracie, Rickson Gracie, e tantos outros nomes de projeção nem tanto repercussiva, porém dignos de toda a admiração e respeito.
Fica, portanto, o compromisso de uma nova abordagem (com enfoque aos grandes nomes,
tanto do passado quanto atuais), do nosso JIU-JITSU Brasileiro.

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